sábado, 20 de agosto de 2011

[01]

Das minhas mãos constroem-se
castelos de areia, edificados
em terra mole e moldável,
friável sob o toque frio
dos dedos lânguidos do oceano.

Observo o fenómeno;
quebram-se palavras, goles
de sal que ardem nos lábios
quietos e cheiros de vagar,
vagas que entram pelas
janelas, portas, chaminés, sótãos.
A água desliza em silêncio,
esculpe do que há
novas formas e nenhuma existência,
dentro de um castelo existem
cabanas e casas escondidas,
anexos e gavetas de papéis,
arquivos que traçam linhas
nos rostos de mares e portos
que vão mas não vêm.

Hoje somos gaivotas que, em dias
de tempestade, se deixam estar
perto destes castelos
a observar o mar
e a gritar.

1 comentário:

André disse...

Veio-me à mente a cena da casa de praia do Eternal Sunshine a ser destruída e tudo a desabar. Boa, fizeste-me lembrar esse filme :)