quinta-feira, 18 de agosto de 2011

diário, 1.

A noite caía na cidade como uma essência fugaz, eternizada pelo monótono suspiro dos carros solitários. No entardecer, a cidade é a solidão. A solidão agarrada às carruagens velhas do metro, às paragens de autocarro despidas de luz, aos rostos das pessoas que regressam aos lares e a lado nenhum. A solidão encontra sempre abrigo nas cidades povoadas de mãos vazias, de ares estagnados, de luzes desfocadas, sombras de pirilampos inventadas para ofuscar as estrelas. Na solidão, o meu nome ergue-se e torna-se numa palavra despida de significado. O meu nome, só, mil sóis inventados, clave de sol de solstícios soldados num semblante solto e livre. A cidade e eu; a solidão. No entardecer, a cidade é a solidão e a solidão é inventada no meu nome. E eu, cidade de palavras e vidas, a solidão.

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