segunda-feira, 5 de setembro de 2011

diário, 6.

Existem dias em que gostava de arrancar as palavras que me nascem do peito. Como ervas daninhas, urtigas que magoam, doem, ardem. Existem dias em que as palavras ganham asas e são estorninhos dentro do meu corpo, contorcem a plumagem e gravam imagens por entre as nuvens pardas. Os dias existem, e é nessa existência que peço que estes exórdios se deixem de repetir. Mas os estorninhos nunca me ouvem, porque no céu só as palavras que nascem têm voz, só as palavras que gritam da alma se fazem ouvir, trovões que se perdem e regressam, são memórias que assustam, mas que não conseguimos deixar de contemplar.

1 comentário:

João disse...

um esquecer da existência de palavras que é esquecermo-nos.