terça-feira, 20 de setembro de 2011

diário, 9.

A pior distância é aquela que pode ser quebrada com dois passos, um braço esticado, um, dois segundos. A pior distância é aquela que, suspensa pelos dois ponteiros do relógio, se estica sem nunca se rasgar. Era nisso que pensava muitas vezes, quando os nossos corpos arrefeciam sem tempo, num lugar onde a distância sussurrava palavras de contentamento. Deitada sobre os nossos pés desmaiados, a distância limitava-se a existir num punhado de palavras ausentes. Ainda hoje penso nessa distância; plantada à minha alma, sobrevive em quilómetros de recordações, agora a distância é um gigante feliz e satisfeito, é nas figuras solitárias que a distância trauteia odes intermináveis.

A pior distância é aquela que pode ser quebrada com dois passos, um braço esticado, um, dois segundos. É aquela que sobrevive num olhar, sem fundo, profundo, um mundo. Neste lugar.

2 comentários:

João disse...

a pior distância é distância impossível de combater, física ou não.

é olhar para o horizonte e saber que só resta isso: o horizonte.

teresa tomaz disse...

O horizonte, profundo, sufocante. Sem dúvida.

Obrigada pelo comentário e pela leitura, fico muito contente. De verdade.