segunda-feira, 10 de outubro de 2011

2.

quis ensinar-te tanta coisa,
os maneirismos do universo,
de tal forma que
ousámos um dia cruzar
as ruas estreitas de uma galáxia,

olha, dizias,
há tanta coisa atrás dos teus olhos,
é nessa escuridão que me vejo
reflectido, o meu nome
sabe a uma estrela deserta,

singularidades de sonhos,
os nossos lábios suspensos
em notas de um piano,

a vida não é linear,
disseste, repetiste,
a vida
não é
linear,

escreveste uma frase,
ponto final,
parágrafo.

agora resta-nos
abrir um parêntesis recto
e deambular por buracos negros,
apartes constantes,
omissões recorrentes,

seremos para sempre
[as palavras que ficaram por dizer]
versos longos que desapareceram
numa linha vazia,

porque, como vês,
a vida que escolheste
é
[linear,
será sempre e apenas]
vulgar, feita de ar,

o vazio irrespirável,
até ser nada,
apenas o início de uma frase
comum, provérbio repetido,
ditos e dizeres usados,

gastaste as palavras
e agora sobra-nos apenas o silêncio.

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