sexta-feira, 7 de outubro de 2011

diário, 11.

Hoje sou o vazio de uma resposta vadia, a luz que os candeeiros lançam sobre a noite devota, devota ao cansaço carregado pelos transeuntes que arrastam os pés e as almas pelos passeios, deitam beatas e cospem o ardor que levam no peito. Uma mulher sentada nas escadas da igreja parece querer arrancar o coração, desconhece que o coração não sabe sentir a dor que a consome, desconhece que não é ali que se constroem as lágrimas que lhe enchem os pés, as mãos, os braços, os ombros, lágrimas que correm e que se evaporam pelos seus poros e olhos e lábios. Mas nada disso importa quando existe um rio dentro de nós que conflui no lugar onde o coração descansa, um rio que sabe entender a noite e a solidão do universo, um rio tão fundo, afunda-se e afunila-se em remoinhos cercados pela ausência. Deito o corpo no vazio e quedo-me suspensa, hoje sou o vazio de uma resposta vadia e de perguntas exaustas de existir.

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